Já se foram 35 dias do atentado ao companheiro Ricardo Gama e até agora nenhuma autoridade policial disse alguma coisa sobre o inquérito! A OAB teima em se calar. A ABI também. A Polícia Civil não pede que as testemunhas se apresentem. O disque-denuncia também. Já houve tempo e provavelmente elementos para que a investigação aponte em direção aos responsáveis. Já se conhece o carro utilizado, ele foi roubado antes, o dono já fez o retrato falado dos que o roubaram, existem filmagens por câmeras de prédios vizinhos dos bandidos descendo do carro, com certeza há testemunhas (o evento foi em plena feira livre no Bairro Peixoto), etc. etc. O Delegado não quer autorizar o acesso de Ricardo ao inquérito. Ricardo foi ao Presidente do Instituto dos Advogados do Brasil - IAB, Fernando Fragoso, junto com o advogado de preso político o jurista Marcelo Cerqueira, na última quarta-feira. Não encontraram justificativa para que nada tenha acontecido até agora. Nem tão pouco para o silêncio da OAB. Uma resposta emerge de tudo isso: MEDO! Alguém deu uma ordem de cima para baixo na área de segurança pública e, fez ameaça contra quem se insurgisse contra ela. Esse mesmo alguém conseguiu persuadir a OAB, a ABI, a ALERJ e o MP também. Nenhum organismo do Estado dá apoio à vítima. Nenhuma organização civil ligada aos direitos humanos, com exceção do Instituto dos Advogados do Brasil, lhe manifestou qualquer apoio. Ricardo mora com sua família e conta com apoio de poucos amigos e companheiros. Até quando? Os que tentaram assassiná-lo não tentarão de novo?
Será que restará ao Ricardo o asilo político em seu próprio país? Restará ao Ricardo buscar o apoio da Igreja Católica, da Igreja de D. Paulo Evaristo Arns, de Dom Adriano Hipólito e de tantos outros que ajudaram os perseguidos políticos nos tempos da outra ditadura? Tempos de meias palavras... Tempos de meio silêncio.
Não custa lembrar o poema:
Primeiro levaram os judeus,
Não falei, por não ser judeu.
Depois, perseguiram os comunistas,
Nada disse então, por não ser comunista.
Em seguida, castigaram os sindicalistas,
Decidi não falar, porque não sou sindicalista.
Mais tarde, foi a vez dos católicos,
Também me calei, por ser protestante.
Então, um dia, vieram buscar-me,
Mas, a essa altura, já não restava nenhuma voz,
Que, em meu nome, se fizesse ouvir.
(Bertolt Brecht)
Será que restará ao Ricardo o asilo político em seu próprio país? Restará ao Ricardo buscar o apoio da Igreja Católica, da Igreja de D. Paulo Evaristo Arns, de Dom Adriano Hipólito e de tantos outros que ajudaram os perseguidos políticos nos tempos da outra ditadura? Tempos de meias palavras... Tempos de meio silêncio.
Não custa lembrar o poema:
Primeiro levaram os judeus,
Não falei, por não ser judeu.
Depois, perseguiram os comunistas,
Nada disse então, por não ser comunista.
Em seguida, castigaram os sindicalistas,
Decidi não falar, porque não sou sindicalista.
Mais tarde, foi a vez dos católicos,
Também me calei, por ser protestante.
Então, um dia, vieram buscar-me,
Mas, a essa altura, já não restava nenhuma voz,
Que, em meu nome, se fizesse ouvir.
(Bertolt Brecht)



