Mesmo que ainda incompleta, sem um balanço definitivo, alem de grande prejuízo imposto à economia das drogas no estado, como prisões de traficantes, toneladas de drogas, centenas de armas, podemos extrair algumas lições da chamada Guerra do Rio:
1. Não foi um evento que a inteligencia da secretaria de segurança estava prevendo. Ao contrário, na verdade, tudo isso foi uma enorme reação à campanha dos traficantes de mais de uma centena de atentados pelos mais diversos bairros da capital e interior, sem que a Policia estivesse prevenida. Os atos terroristas expuseram o Rio a um dos maiores desgastes de sua imagem no exterior, exatamente na preparação da Copa e Olimpiadas, provocando uma reação do governo.
2. O Governo agiu empiricamente, ou seja, foi tomando decisão sob pressão da realidade. A Guerra contra os traficantes, como se deu no Alemão, não constava da chamada Politica de Segurança do Estado, que se limitava a implantar as UPPs com a dócil expulsão dos bandidos de pequenas comunidades de maior visibilidade, com notória finalidade eleitoral;
3. Foi uma ação, portanto, que contrariou totalmente a estratégia - amplamente criticada durante a campanha eleitoral - de implantação das chamadas UPPs, as quais apenas expulsava os bandidos, sem apreensão de armas e drogas, pactuando caso a caso, sem interromper sequer seu comércio, desde que não exibindo armas. Os bandidos migraram e se capitalizaram em outros bairros, inclusive ampliando seu grau de organização e de armamentos no Complexo do Alemão;

4. O uso das Forças federais, Forças Armadas, Policia Rodoviária e Policia Federal, igualmente não estava nos planos. Sobretudo das Forças Armadas que jamais tinham entrado nos planos da Secretaria de Segurança, como era negado no inicio da semana pelo próprio Governador, mas que acabou por disponibilizar equipamentos, carros e helicópteros jamais utilizados em operaçoes desse tipo;
5. Pela primeira vez, o Governo do Estado, ainda que se orgulhe de desfrutar de excelente relação com o Governo Federal, tentou fechar - objeto também de critica na campanha eleitoral - as fronteiras às armas e drogas, com o uso da Policia Rodoviária Federal;
6. Pela primeira vez, depois de quatro anos, o Governo preocupou-se com a lavagem do dinheiro do tráfico e prendeu advogados e parentes dos gerentes que participavam ou se associavam ao crime;
7. Falta, visivelmente, inteligencia na repressão ao tráfico de armas e drogas no Rio e no Brasil. Por exemplo, o uso do Banco Central para monitorar o processo de transferencias de somas grandes de recursos e de lavagem do dinheiro sujo bem como a vida de seus titulares, esses sim, colarinhos brancos protegidos pela mídia e pelo sistema;
8. O emprego amplo de todas as forças policiais foi uma vitória da operações pois, de fato, dissuadiu a reação que levaria o evento a um provável banho de sangue;
9. Falta, e continua faltando, politicas sociais que resgatem verdadeiramente essas comunidades. O que o Estado deve fazer é resgatá-la da pobreza e da ignorancia e dê oportunidades a todos de terem suas vidas dignas. A pura repressão jamais resolverá o problema da segurança no Rio de Janeiro.
10. Que a elite do Rio de Janeiro e do Brasil tomem esse episódio como emblemático das consequencias de seu egoísmo que não deixa que se faça a distribuição de renda no Brasil, hoje, igual a Zimbaube, um dos paises mais pobres da Africa e do Mundo.