
Ganhamos! Esperamos muito tempo para ter essa oportunidade. O momento é de alegria óbvio, mas de grande responsabilidade. Na medida que, aos poucos, coloquemos os pés no chão.
Não devemos esquecer que para ganharmos apresentamos um Plano! Como todo plano, muitos papéis, fotografias, imagens virtuais com recursos das tecnologias modernas de computação gráfica, promessas, etc.
Mas, e agora? Agora chegou a hora de tirá-los do papel. E não decepcionar. No dia 5 de Agosto de 2016 a pira olímpica terá de ser acesa no Maracanã. Até lá muito o que fazer!
Estive duas vezes em Pequim antes das Olimpíadas de 2008. Vi um povo educado, uma infraestrutura de transporte perfeita, uma cidade limpa, hotéis em abundância de boa qualidade, aeroportos modernos, enfim, vi uma Pequim em preparação (2004) e preparada (2008). Nao devemos nos esquecer, no entanto, que o Brasil é um dos paises de maior desigualdade e menor taxa de crescimento nos ultimos 10 desigualdade, que as demandas sociais não realizadas estão acumuladas. Nesse campo mudamos pouco. Por exemplo, o IDH da China de 1975 a 2005 elevou-se 46%, o do Brasil apenas 23% ( ONU). A taxa de analfabetismo no Brasil é de 11% no Brasil na China é de 9% ( 2005)
Não tenho a menor dúvida sobre a generosidade do povo carioca e da competencia técnica instalada no Rio e no Brasil. O que eu tenho dúvida é sobre a capacidade da máquina pública (federal, estadual e municipal) em dar conta de tantos desafios com transparência, eficiência e eficácia. Claro, se muita coisa não mudar. Precisamos de atitudes para mudar e para realizar!
Para fazer a Vila de Deodoro, a Vila da Imprensa na Barra, o Centro Olímpico da Barra, concluir a recuperação da Baía de Guanabara, de rios e lagoas da barra, sistema viário, expansão do metrô, hotéis, equipar frota dos ônibus com biodiesel ou alcool, construir um centro de tratamento de residuos para a cidade, licenciar previamente todos os emprendimentos com presteza, urbanizar comunidades carentes, implantar programas de formaçao de recursos humanos, solucionar desafios tecnológicos, enfim, são tarefas complexas que requerem competência e diligência por parte das autoridades públicas.
Nâo podemos esquecer que algo semelhante aconteceu com o PAC. Muitos recursos foram disponibilizados, mas muitos foram
disperdiçados, pouca
efetividade e muito atraso. A diferença com o PAC é que os Jogos estão sendo olhados pelo mundo e a eles acorrerão atletas e delegações de quase duas centenas de países!
Se nada mudar, nos Jogos de 2016 assistiremos a um velho e conhecido filme: de um lado, o TCU impugnando licitações, interrompendo obras; de outro o abuso por parte dos gananciosos que vêem nos Jogos de 2016 apenas uma oportunidade de sangrar a poupança do brasileiro. Como evoluirão as velhas e conhecidas práticas do patrimonialismo que tem assaltado o Estado Brasileiro desde a República Velha?
Muitos jornais publicaram de ontem para hoje que os Jogos de 2016 gerarão mais de 50 mil novos empregos! Bom, mas se a desigualdade na distribuição de renda continuar isso não significará nada, ou quase nada. Não devemos esquecer que o Pais, segundo a ONU, é um dos países de maior desigualdade do planeta. Recentemente, gastamos quase R$2 bilhões em programa de alfatização e o progresso foi quase nulo. Tentamos fazer um ENEM e deu no que deu!
Acho que a solução é uma Reforma Administrativa da máquina pública, do modelo burocrático. Reforma que combine transparência com eficiência. Que substitua o modelo atual de mais e mais controle, em geral inúteis, por um modelo gerencial baseado em metas, flexibilidade e controle social externo. De preferencia agora, se quisermos acender a pira Olímpica com dignidade e fazer juz a oportunidade que nos foi dada.
Viva o Rio de Janeiro, Cidade Maravilhosa. Viva o povo brasileiro e carioca. Ganhamos a primeira etapa, a do planejamento.